sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O GRITO DE RAQUEL

Para onde foram, afinal,
teus filhos, Raquel,
cujo pranto inunda a foz mesma do Nilo?
Para onde, se a morte não é um lugar?
Vagam no mundo em pátria alguma?
São doze os signos do céu,
doze meses a volta em torno do sol,
doze tinas com água se enchem,
parte-se o pão para doze convivas, 
doze taças de vinho,
o sangue de doze crianças.
Sim, eles não mais existem,
não há porque se consolar,
cumpriu-se a promessa
e o engano se desfez,
o pai procura o filho perdido,
a mãe chora o filho que não nasceu.
Tarsila Eskeff
 
 

 

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