segunda-feira, 11 de abril de 2016

ESTER

Nem mesmo a menor centelha divina se faz refletir
nesses cacos de porcelana, do que se partiu,
e, irremediavelmente, não se pode refazer.
Há, contudo, uma luz vespertina,
que cobre todos os prados dessa imensa Pérsia,
uma vaso mais brilhante e belo,
do cristal mais perfeito,
como essa estrela da tarde.
Os homens, Ester,  e seus destinos são 

não mais do que pequenos joguetes 
nas mãos dos deuses.
A gloriosa jornada, a fracassada campanha,
a rainha ausente e insubmissa, defenestrada,
evanescida;
o amor no coração dos homens,
vaidade, tão-somente.
O que maça e estiola, o que oprime e mata,
o que conduz ao sepulcro, o que retira da vala
comum e separa;
o cardamomo, a seda;
o teu rosto, Ester, que põe o rei genuflexo
e embriagado,
como um menino correndo pelos vales
onde crescem as cerejeiras.
A miserável servidão e a morte como a chuva
sobre os exércitos,
tudo como uns poucos pedaços de um prato
atirados ao chão.