Sobretudo, sou estrangeiro (ό ξένος)
terça-feira, 27 de junho de 2023
ARISTÓTELES
segunda-feira, 20 de março de 2023
NO TÚMULO DE HUGH DE LINCOLN
MORS OMNIA SOLVET
domingo, 26 de fevereiro de 2023
PASSEIO PELA ALAMEDA DE TÍLIAS
terça-feira, 12 de abril de 2022
PARA ELA
Elegante e bela e jovem.
Há um tempo, apoiada a cabeça nos braços,
adormeceu.
É certo que está cansada.
Bem assim eu próprio,
a caminho do subúrbio
nessa composição de trem.
É muito provável que nunca mais a veja,
e é certo que a nunca vi antes,
nem neste nem em outro caminho;
neste ou nenhum outro tempo.
Dela nada quero, nada pretendo.
Já me foi dado tudo.
Esse instante de encantamento.
A juventude que passou por mim,
relâmpago,
faróis do trem no sentido contrário,
e essa despedida.
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| Claude Monet - La gare Saint-Lazare- - 1877 |
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022
A NATUREZA DO BASALTO
terça-feira, 25 de maio de 2021
INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS
Para Marina Ruivo
A volúpia e mesmo a melancolia voluptuosa,
entre ocres e lúgubres cores depravadas.
De qualquer modo, não cairíamos
e qualquer gesto estava suspenso.
Suspenso também o tempo, inintelígel.
Não se suspende o espaço, este
criado pela palavra de um deus atônito,
ou pelo grito,
única expressão do teu corpo sobre o meu
.
quarta-feira, 19 de maio de 2021
UXOR
ainda agora trêmula.
Já não me aquece o sangue
o vinho que da garrafa
se desprendeu
e dela
não se derramava
qualquer líquido perdão.
Procuro a tua face, o teu rosto,
para sempre
santificado.
Eu ergui altares e incensei
a câmara iluminada
e fiz preces
e recolhi, aflito,
as pétalas das horas.
Hoje, sou o corpo
alijado das coisas do mundo,
e há pedras acesas
com o fogo frio da ausência.
segunda-feira, 1 de março de 2021
CIRRUS
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
NAVIO NEGREIRO II
domingo, 15 de novembro de 2020
ELA, A QUEM AMEI IMPERFEITAMENTE
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| Edward Munch - Separation |
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
DÉBORA
quinta-feira, 29 de outubro de 2020
segunda-feira, 26 de outubro de 2020
DOR E MEDO E GELO E FOGO
segunda-feira, 1 de julho de 2019
CARPE DIEM
segunda-feira, 24 de junho de 2019
O CONCERTO PARA PIANO E ORQUESTRA OPUS 20 DE ALEXANDR SCRIABIN
que é quietude e imensidão.
a forma de tudo é mais breve
e a vida no meio de tudo é infinda,
na calma noite anoitecendo
na calma noite
na calma silenciosa noite descendo
um choro.
tanta lágrima e tanta estrela
morrendo,
tanto nascimento e morte
no girar-se o universo calmamente.
um choro longo e tênue molha o rosto
que é terra e solidão.
A alma de tudo é tão leve
e a leveza do corpo de tudo é linda,
ainda que uma dor sendo
ainda que uma dor
uma dor no olho cantado
em coro.
ainda que arda na carne o tempo
e tudo arda e doa
e tudo mate e alegre, sequestre
e devolva
tudo é esse choro na noite - som
caindo da terra no céu.
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| Amarelo, Vermelho e Azul - Wassily Kandinsky |
DA INSÔNIA
enche de pavores essa noite
plena de horas da morte,
um cão que uiva e o universo
como um peso, esfera
de chumbo.
Janelas desee quarto de mudas
paredes brancas, por onde escorre
o líquido viscoso da insônia,
não é bom que o homem seja só,
como a terra desapostada,
sem conhecer portas de trevas ou luz,
não é bom esse silêncio
quebrado pelas batidas visíveis
de um coração por onde corre
um sangue gélido de réptil.
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| O sono da razão produz monstros - Francisco de Goya |
quinta-feira, 20 de junho de 2019
TARDE
noite nova. Não é
coberta pela noite infante.
o dia que começa e todos os sonhos
que tenho
e têm os seres humanos,
e eu que olho com cara de idiota
a face clara do céu. você.
e se te perco choro
e se me perde choro,
e se me quer dou
e se te quero dou,
demore muito demore amar por amar
abraçar e sentir nossos corpos
e nossos cheiros meio adocicados e ternos.
em seguida nos seus olhos
e você pode fazer inquéritos
sobre as minhas sombras.
quarta-feira, 19 de junho de 2019
HISTÓRIA NATURAL DOS QUADRÚPEDES
a história natural dos quadrúpedes, sem,
contudo, esquecer que nada de natural há,
na verdade, na condição, ou melhor dito,
configuração ou desenho ou formatação
daqueles que caminham sobre quatro patas,
e a bem dizer, nem nos que sobre dois pés
se firmam e, por isso, bípedes se chamam.
Não nos esqueçamos, também, mais ainda,
que há entre os nomes e as coisas, entre
correr o leopardo com os olhos fixos e frios
a perseguir a impala, há entre esse movimento
e a tentativa pífia de reter esse fluxo
uma distância infinita, e nós não podemos
traduzir, sequer, o pavor nos olhos dela;
O que se dirá, então, das cores, do sangue
que congela quando, à noite, a lua descreve
uma parábola de dor e o leão urra
ainda com o gosto da fêmea percorrendo
o corpo quente, vaso a vaso, veia a veia
e o homem se deita e, perplexo, levanta
novamente, ouvindo uivar ao longe o lobo,
como de dentro de si ouvisse o canto sinistro.
Por ora, admitamos ser possível compor
a história natural dos quadrúpedes, sem
esquecer que ali onde a história começa,
desfaz-se, para sempre, a própria natureza.
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| Pintura rupestre na Caverna de Chauvet - França |

















